Ao apagar das luzes do indecente espetáculo encenado no palco desmoralizado do Teatro da Ética, eis que começam a surgir os primeiros indícios de que teremos de assistir outras tantas cenas da mais pura canalhice, contando é claro, com a atuação dos mesmos atores picaretas que têm aparecido com muita freqüência na ribalta da mais esculhambada casa parlamentar do País.
É impressionante as máscaras de "caras de pau" em que terminam se transformando as fisionomias de determinadas "igurinhas deste atual elenco parlamentar.
A dissimulação e o cinismo são tão bem desempenhados, que certamente, se houvesse um concurso interno, onde fossem premiados aqueles que desempenhasse seus papéis com performances sem retoques, a comissão julgadora teria uma trabalheira danada para apontar aqueles merecedores de premiação.
Agora, em toda peça que se preza, existem atores principais e figurantes. Os primeiros, são merecedores de determinadas distinções, enquanto que são incluídos no segundo grupo, fazem de tudo para parecerem perfeitos, mas, o "estrelismo" exercido pela "turma de cima", não deixa a menor brecha para que estes possam aparecer.
A grande verdade é que esta convivência entre estes dois segmentos aparentemente mostra-se de maneira aceitável, e como tal, termina criando um clima extremamente favorável, beneficiando por conseguinte toda a companhia.
Porém, existem momentos em que "o bicho pega". Aí, nesta hora, não existe distinção. Quando a insatisfação começa a se alastrar por todo o elenco, surgem daí as divergências, que terminam na maioria das vezes, trazendo sérios prejuízos para o espetáculo. Principalmente quando se trata de uma tomada de rumo diferente daquele procedimento natural que vinha sendo mantido até então.
Depois dos últimos ensaios, onde foram necessários alguns enxertos no texto, algumas peças do elenco deduziram que a estrutura da peça começava a apresentar modificações inconcebíveis, e como tal, iriam fatalmente desfigurar todo um texto que vinha sendo convenientemente interpretado até então.
O espetáculo "A saga de um sinsaciável maranhense" está em cartaz há um bom tempo no Teatro Senado. No princípio da temporada, o intrincado texto conseguia ser interpretado com uma certa leveza. Porém agora, os atores ditos como principais, junto com os integrantes da direção, liderados por um diretor-geral que assiste a todas as encenações refestelado num determinado palácio, terminaram por avacalhar a estrutura da peça, tendo tal decisão, começado a desagradar frontalmente parte do elenco, que nutria uma certa simpatia pelas atitudes assumidas pela direção do espetáculo.
Aí amigo, é inexorável. Começa a acontecer o desmanche do elenco. Os insatisfeitos pegam o beco, sem dar a mínima para a sua importância no contexto geral.
É o que está delineado no cenário do PT. O barco começa a fazer água. Estão aí para comprovar a insatisfação surgida, a saída de Marina Silva e o anúncio do próximo insatisfeito, o sen. Flávio Arns do Paraná. Isto sem falar em Aloísio Mercadante de São Paulo, que já demonstrou a sua intenção de abandonar a liderança petista no Senado. Vem mais coisas por aí. É só aguardar ...