Recife, 25 de novembro de 2009
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ARTIGO

O eterno narcisista Clodovil Hernandes

Publicado em, 05/04/2009 às 22:08. Visualizada 1091 vezes

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A carreira de estilista veio aos 16 anos, sendo consagrado por vários artistas da época como a cantora Elis Regina
Foto: Divulgação

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"Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?" Este bordão típico das vilãs de contos infantis define bem como era o comportamento de Clodovil Hernandes. O eterno narcisista nunca hesitava em falar sobre suas qualidades e sua personalidade forte, e foi justamente tal personalidade, que deu vida a um dos artistas mais polêmicos do Brasil.

Clodovil era filho adotivo de um casal espanhol e fora educado em um colégio interno católico. Mas apesar de sua fé em Deus, a quem sempre citava em suas entrevistas e programas, o estilista, apresentador e político não tinha dúvidas quando o assunto era sua sexualidade. Homossexual assumido apresentou-se contra a parada gay, pois acreditava que o evento só serviria como ponte para o uso de drogas e a prática de sexo irresponsável.

A carreira de estilista veio aos 16 anos, sendo consagrado por vários artistas da época como a cantora Elis Regina. A partir daí a vida de Clô viraria um livro aberto, e o mundo do entretenimento não seria mais o mesmo. A estréia na tv, veio com o programa TV Mulher, da Rede Globo, na década de 80.

Mais recentemente em 2004, Clodovil virou âncora do programa A casa é sua da RedeTV, no qual protagonizou um desentendimento com a equipe do Pânico na TV, atração dominical da mesma emissora. O quadro sandálias da humildade ganhou a mídia, quando Clodovil tornou-se vítima de Vesgo e companhia. A conseqüência foi a demissão em rede nacional do apresentador.

Dois anos mais tarde o mundo da política chamou a atenção do Sr. Hernandes, e a candidatura veio logo em seguida. O resultado não poderia ter sido melhor: foi o terceiro mais votado no estado de São Paulo, tornando-se então, o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal no Brasil.

Ironia, narcisismo, sinceridade. Clodovil Hernandes ultrapassou o limite do aceitável, seu caráter determinado e sua anti-hipocrisia, fez com que fosse odiado e amado ao mesmo tempo, por muitos. No entanto, este revolucionário lutou em pró da verdade, demonstrando que o Brasil necessita desta e que ainda temos sede do que deve ser de fato dito. Em julho de 2008, a prova de um Che Guevarismo distorcido apresentou-se na proposta de emenda constitucional, em que o político pretendia reduzir o número de deputados de 513 para 250.

No último 17 de março, Clodovil deu adeus à sua pátria na qual escreveu sua história, deixando assim o desejo de mudar o congresso, não apenas estabelecendo um tom rosa a seu apartamento em Brasília, porém demonstrando que os mais aptos para governar nem sempre usam terno e gravata.

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