Este EP da banda recifense Amps & Lina me lembra uma corda frouxa. Algo difícil de ficar em cima sem não deixar vestígios de suspense no ar, mas nada acontece se alguém tropeçar ou cair dessa corda. "Curva e linha", o álbum aqui em questão, traz músicas despretensiosas, pop sem conteúdo pop, sempre recheadas de hipotéticas erudições (como violinos), sempre com uma voz lacrimal no melhor estilo Radiohead de ser. Mas, se tirarmos isso, nada será danificado. Sacou?
Igual as redes que protegem a corda frouxa, a música é white-rock, que está ali para impedir qualquer catástrofe. É o típico brit pop de Manchester, só que feito em terras tupiniquins, por gente que admira uma depressãozinha de fora. E embora eu não seja tão depressivo assim, eu acho brit pop o máximo.
Lançado virtualmente em Setembro de 2007, fruto dessa nova fase, o EP com 5 faixas, foi relançado em novembro pelo selo carioca Midsummer Madness Records, do Rodrigo Lariú. Mesmo sendo produto de um grupo que existe há mais de dez anos, sobre altos e baixos, "Curva e linha" é uma revelação da música independente nacional.
Aqui, o que parece amargo se torna doce. Sem contradições: amargo, porque canções como a faixa título trazem à tona o lado mais soturno e obscuro do Arcade Fire. Doce, porque "Dèja vu" e "De que canto partiu" parecem ter saído de um álbum primário do My Blood Valentine, e são radiofônicas o suficiente para o mainstream, enfeitadinhas o bastante para o indie rock.
As guitarras distorcidas de Alcides Vespasiano, o baixo leve de Henrique Vespasiano e as programações que variam o tempo inteiro de Rogério Lins, adicionadas às cordas do violino sutil de Lorena Arouche, dão um toque de ousadia para o som do quinteto recifense.
O destaque, porém, fica por conta da voz melancólica da vocalista Luciana Medeiros, que também se encaixaria num emocore chorão, talvez numa MPB mais cool a la Marina Lima, e quem sabe com um pouco mais de fertilidade, uísque e os mesmos três/quatro acordes de sempre, até num folk moderninho. O que cabe dizer que o EP "Curva e linha" é dinâmico (variado à parte) e, no planeta de onde eu venho, isso é uma das vertentes que faz uma música dominar as massas.
Serviço
Artista: Amps & Lina
Álbum: Curva e linha
Gravadora: Midsummer Madness Records
Site: My Space